Semana passada resolvemos comer um churrasquinho aqui em casa mesmo. Só que a bendita carne, que estava na promoção ( mais um motivo pelo qual eu o-dei-o promoções ), estava mais dura que a minha cabeça. Muitas mordidas e mastigadas depois, terminei o dia com o maxilar dolorido de tanto que eu mastigava, mastigava, mastigava e o negócio nada de triturar. Pois bem, até aí nada de mais. Segunda-feira chegou, uma dorzinha de leve no dente lá do fundo que eu imaginava ter machucado a gengiva de tanto que eu mordi a carne. Lá pela sexta-feira, fui viajar para Curitiba, cidade que eu estou gostando cada vez mais, e o dente continuando a incomodar. Nada muito grave. Coisa que um cataflan ou um dorflex resolvia rapidinho.
Só que a coisa desembestou. Domingo a noite eu já nem aguentava mais dormir de tanto que o dente doía. A dor era tanta que eu já não sabia se era no dente, na gengiva, na bochecha, no olho, na cabeça ou no cabelo. O lado direito da minha cabeça doía inteiro. Liguei para a farmácia lá pela meia noite para pedir um analgésico mais forte, porque o tal do cataflan, que eu já tinha consumido uma cartela inteirinha, já estava parecendo confete de tanto que eu tomava e não surtia efeito. O moço da farmácia veio me trazer um tal de Algy-Flanderil 600mg, que parece ser um analgésico pós-operatório. Uma hora depois eu consegui dormir, e quatro horas depois já estava acordando para poder embarcar de volta pro Rio.
Chego no aeroporto e logo no check-in descubro que o Afonso Pena estava interditado para pouso e decolagem devido a falta de visibilidade da pista. Na ida eu já tinha enfrentado um atraso de umas duas horas porque, segundo informações do próprio piloto, a aeronave tinha sofrido alguns problemas mecânicos e teve que ser trocada. Algo muito agradável de se ouvir quando se viaja de avião.
Aproveitei para terminar de ler um livro que eu comprei durante o atraso da ida. Gambaru, o poder do esforço e da perseverança, do Claudio Ayabe. Nem precisa dizer que estou me sentindo um verdadeiro samurai. Mas não vou entrar em detalhes do livro não. Estou com preguiça. O que seria um crime na pratica do bushido que o livro prega
Depois de mais três horas esperando eu consigo embarcar pro Rio. Cheguei e fui direto pro consultório do dentista. Chegando lá descubro que estou com uma inflamação perto da raiz do dente, que por um acaso já havia sido tratado do canal. Resultado, não dava pra mexer. Tive que tomar antibiótico, antiinflamatório e analgésico até hoje, pra poder fazer uma nova avaliação da situação.
Hoje fiz a tal avaliação. E a dentista resolveu que eu vou ter que ser avaliado denovo por outro profissional na próxima semana. Tô me sentindo um vaso antigo, de tanto que esse povo me avalia. Pior que ninguém chega a uma conclusão.
Semana passada eu tinha a sensação que estava com um elefante na boca. Ontem parecia que eu estava com dois elefantes. Hoje acho que os elefantes se acasalaram e deram cria. Estou com uma família de elefante na boca. Pelo menos até a anestesia passar. Até lá acho que já perdi a lingua de tanto que eu mordo ela.